quarta-feira, 8 de julho de 2015

Exploração/desconstrução do vídeo

As metodologias e instrumentos de exploração/desconstrução do vídeo como recurso pedagógico são comuns à utilização de outros recursos e mesmo ao processo de planificação de uma unidade curricular. Estruturar todo o processo de utilização de um audiovisual ajuda a desconstruir o recurso e a consolidarmos práticas, e não menos importante, a aplicação de técnicas de exploração e instrumentos para uma boa utilização de um vídeo na sala de aula ou num ambiente on-line.
A leitura do livro “O vídeo como dispositivo pedagógico”  (Moreira & Nejmeddine, 2015) sugere algumas destas técnicas e instrumentos de exploração:
1. As vantagens da utilização do vídeo como recurso pedagógico;
2. As etapas para uma adequada utilização;
3. Atividades a desenvolver e os materiais pedagógicos de apoio.
1. As vantagens da utilização do vídeo como recurso pedagógico são inúmeras e consensuais, destaco o conceito de dual-channel comum à minha área, nas redes de computadores, mas também à comunicação em geral.
"Dual-Channel Learning
In fact, all students, both with and without a strongly dominant modality preference, benefit from instruction that includes video. Marshall (2002) cites the conclusions of Wiman and Mierhenry (1969), extending Dale's "Cone of Experience,” that: "people will generally remember: 10% of what they read 20% of what they hear 30% of what they see 50% of what they hear and see” (Cruse)
Hoje, é imperativo para o professor que quer chegar aos alunos de uma forma eficaz de forma a maximizar aprendizagens, a utilização de recursos e tecnologias na sala de aula que sejam multi canal e familiares aos alunos.
A este propósito, permitam-me um parêntesis que mostra como esta questão está na linha da frente dos objetivos para a educação na europa. Estou também a frequentar uma formação chamada "Salas de aula do futuro” que visa a criação de uma rede de professores nas escolas, para a divulgação/discussão de cenários da Sala de Aula do Futuro criados no contexto do projeto ITEC (http://itec.dge.mec.pt/) promovendo uma visão clara das práticas de ensino e de aprendizagem inovadoras, com o propósito de provocar uma mudança gradual, mas sustentável no sistema de ensino.As conclusões do projeto ITEC, que são motivadoras e inquestionavelmente positivas no que diz respeito às mais valias da utilização das novas tecnologias, podem ser consultadas na integra no endereço:
http://fcl.eun.org/documents/10180/18061/iTEC+evaluation+report+2014_PT.pdf/f7197b5c-c8e8-41e1-b26f-e1f5d34aff0e . São resultados que mostraram de forma clara o impacto que a sala de aula do futuro tem sobre professores, alunos e escolas onde foram implementados os projetos piloto.
Naturalmente que a utilização dos recursos audiovisuais, a utilização de dispositivos móveis como tablets ou smartphones, ou a disseminação de ferramentas fantásticas da Web 2.0 fazem parte do objetivo deste projeto.
Neste contexto, o vídeo é também ele um recurso fundamental:
"Without question, this generation truly is the media generation, devoting more than a quarter of each day to media. As media devices become increasingly portable, and as they spread even further through young people's environments-- from their schools to their cars--media messages will become an even more ubiquitous presence in an already media-saturated world. Anything that takes up this much space in young people's lives deserves our full attention. --Kaiser Family Foundation” (Cruse)
Estas vantagens são maiores, quanto maior for o conhecimento de novas metodologias por parte do professor e mais cuidada for a preparação cuidadosa da exploração destes recursos. De fato a sua utilização "exige um esforço permanente por parte do professor na procura das soluções mais adequadas a cada situação” (Moreira & Nejmeddine, 2015) e "As with all educational technologies, the value of video relies on how it is implemented in the classroom.” (Cruse).
De realçar também que na utilização de um recurso audiovisual "é necessário não só, ter em conta as dimensões técnica e expressiva, mas também, e sobretudo, a sua dimensão didática” (Moreira & Nejmeddine, 2015), e é neste contexto que a desconstrução do recurso é crucial, o que nos leva ao ponto dois.
2. Nos diferentes documentos estudados, a definição das etapas é muito semelhante, expondo de uma forma clara e objetiva três tempos: pré-visualização, visualização e após a visualização. Em cada um destes períodos são apresentadas as metodologias a seguir e algumas técnicas de exploração muito pertinentes.
Como é referido no livro "O Vídeo como dispositivo pedagógico”, o artigo "Using Educational Video in the Classroom: Theory, Research and Practice By Emily Cruse” é de fato muito interessante. Neste artigo, na secção "General Principles of Video Use in the classroom” são definidas também três etapas: "pre-activity / activity / post-activity”. A leitura destas etapas também nos fornece um conjunto de metodologias e instrumentos em muito coincidentes com o livro de referência do nosso curso.
A desconstrução pedagógica de um recurso de aprendizagem audiovisual inclui quatro etapas: preparação ou planificação; visualização, leitura e análise do recurso de aprendizagem; desconstrução do recurso, debate e reflexão; conclusão e verificação. Esta estruturação, para além de outras ideias de exploração como a referida desconstrução pedagógica do recurso, vai de encontro às etapas definidas anteriormente mas acrescenta de forma muito pertinente a perspetiva de utilização do recurso on-line. Hoje é muito fácil disponibilizar estes recursos na web, de forma bem enquadrada com os objetivos pretendidos, e assim, agregar um conjunto muito relevante de potencialidades pedagógicas.
3. Neste ponto gostaria de referir alguns instrumentos/técnicas e materiais de apoio que considerei relevantes:
- As atividades de exploração e grelhas de observação fornecidas nos anexos do livro.
- Referências para informação complementar;
- Elaboração pelos alunos de um produto resultante da visualização do vídeo, por ex., um cartaz, um vídeo, um blog, um programa de computador, a instalação de um sistema operativo, uma página web, ...
- Utilizar o vídeo ao longo do ano letivo aproveitando-o como motivação para diferentes unidades didáticas ou para consolidar conhecimentos adquiridos;
- Visualizar excertos do vídeo de forma criteriosa;
- Ver o vídeo sem som e lançar desafios aos alunos para fazerem a narração do que se está a passar;
- Criar pequenos grupos de trabalho para discutir o vídeo;
- Fazer intervalos na visualização para propor atividades ou mesmo promover atividades interativas durante a visualização;
Estas são apenas algumas ideias que colecionei, muitas delas que nunca me lembraria e muitas outras que nunca apliquei.
Termino com uma frase que sublinhei nestas leituras, com a qual concordo plenamente seja no vídeo ou em qualquer outra temática. Estou certo que os colegas concordam que na 1ª vez, 2ª ou...  que ensinamos algum conteúdo não o fazemos com a mesma qualidade que o fazemos quando temos experiência, aliás como em qualquer outra atividade das nossas vidas.
"Experimentar, avaliar, experimentar novamente e ter uma atitude de questionamento permanente, parece-nos ser fundamental para otimizar a sua utilização didática e pedagógica” (Moreira & Nejmeddine, 2015)


Sem comentários:

Enviar um comentário