domingo, 24 de maio de 2015

Pensamentos sobre a tecnologia e o professor na sala de aula

Nós os educadores usamos a tecnologia em demasia?  Há cerca de 10 anos pouca gente, alunos ou professores, tinha portátil. No entanto educava-se e nas escolas o trabalho fazia-se. Hoje, vejo colegas agarrados aos portáteis a toda a hora e pergunto-me o que fazem? Devem fazer o mesmo que eu, naturalmente! E eu o que faço? Ler muitos mails aos quais é preciso dar resposta, acesso a programas de sumários e gestão da direção de turma,  preparar alguns documentos solicitados pelos departamentos ou direção, ver noticias, colocar documentos no moodle, ler alguns textos da formação de vídeo :), há é verdade... e preparar aulas. Creio que outros, porque tem facebook, também colocarão umas fotos e alguns gostos aqui e ali. No meio de tudo isto, por vezes perdemos noção das prioridades e as aulas passam mesmo para pistas inferiores (já podemos fazer piadas com referências ao camtasia).
Os alunos também andam com o seu portátil, mas nestes é mais fácil de identificar o que processam, muito facebook, sites de futebol ou da casa dos segredos, e na maioria dos casos, a dúvida é saber qual o nome do jogo.
Resultados concretos para uns e outros - menos abandono escolar mas piores resultados, menos tempo para a família, os miúdos cada vez mais isolados, o trabalho burocrático aumenta ao contrário do que era suposto, sensação de que estamos desatualizados, mais futilidades e mediocridade a imporem-se sem que possamos fugir, DEMASIADA informação, mais vazio intelectual e de valores. 
Parece-me que as tecnologias evoluíram e evoluem a uma velocidade  estonteante e nós não estamos a conseguir digerir, assimilar, adaptar processos. Não sabemos o que fazer com tanto software, com tanto hardware. Consumimos a tecnologia sem refletir se vai melhorar a nossa qualidade de vida, sem pensar de que forma a vamos humanizar. E isto não para (significa pára de parar, mas assim cumpre o acordo ortográfico), nem vai parar tão cedo. É como a globalização (aliás consequência da revolução tecnológica), foi tão rápida que não houve tempo para prever o seu impacto. Hoje estamos a ajustar, ao mesmo tempo que balançamos nas ondas de choque que provocou.
A questão recente e recorrente -  o professor pode vir a ser substituído pela tecnologia?
Na educação existem hoje recursos tecnológicos que podem ultrapassar o professor em algumas áreas. Um exemplo concreto é um estudante que pretenda aprender programação numa determinada linguagem. Pode recorrer a manuais e tutoriais online, pode aprender interactivamente em sites da especialidade ( codeacademy.com - site fabuloso para aprender a programar), pode falar e tirar dúvidas com uma imensa comunidade de programadores experientes na linguagem, pode produzir código e colocá-lo para análise e testes na internet, pode utilizar e fazer reverse engineering com programas de código aberto que são disponibilizados, no fundo pode lançar mão de todos os recursos que a web 2.0 nos oferece.
Para que é que um aluno motivado precisa de mim, professor, para lhe ensinar a programar? Existem com certeza muitos exemplos que poderiam ser dados noutras áreas de conhecimento.
E é aqui que entra a parte boa do desenvolvimento tecnológico. Não vou voltar ao discurso sobre as tecnologias e a globalização, nem vou enumerar vantagens da tecnologia porque teria que recorrer aos números irracionais, mas é claro que estamos a viver uma era fantástica, com um progresso fabuloso em todas as áreas do conhecimento humano, sendo que o desenvolvimento exponencial que conhecemos nas últimas décadas deve-se às novas tecnologias.
Eu sei o que estão a pensar... é preciso motivar o aluno, orientá-lo neste labirinto, guiá-lo pelo melhor caminho e sobretudo, oferecer tudo isto, não por mail, mas com duas mãos humanas que o podem apoiar em muitos aspetos do seu processo de aprendizagem, incluindo os pessoais. O papel do professor na formação dos jovens não se resume a transmitir conhecimento, à que reconhecer a importância do currículo oculto, da relação interpessoal, da formação do caráter, do apoio psicológico que tantas vezes temos que dar. Nas idades mais verdes teríamos que recorrer outra vez aos números irracionais para enumerar os benefícios do professor.

O segredo é a conjugação das duas vertentes, o professor precisa de estar aberto às tecnologias, conhecê-las, refletir sobre elas e tirar o melhor proveito destas novas ferramentas para melhor desempenhar o seu papel e potenciar as valências que as tecnologias não podem nem nunca vão substituir.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Flip - Cinema de animação em Amarante

De 14 a 17 de maio decorre uma mostra de cinema de animação em Amarante. Com um programa muito rico e extenso, é uma proposta muito interessante para o fim de semana dos amarantinos, ainda pouco habituados a ter boas propostas de cinema na cidade.
Penso que este é um bom post para abrir este blog e uma boa sugestão para todos os formandos do nosso curso de vídeo. Aliás, eu até proponho que no sábado à tarde façamos uma visita de estudo ao Centro Cultural de Amarante :)

Flip